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Crianças são treinadas para o mercado

MARIANA LENHARO Já não basta mais que crianças pequenas estudem e façam atividades extracurriculares. Para algumas famílias é importante que elas tenham também os cérebros turbinados para lidar melhor com o dia a dia e desenvolvam habilidades para o mercado de trabalho. As famílias fazem isso porque estão de olho no emprego dos sonhos no … Continue reading

MARIANA LENHARO

Já não basta mais que crianças pequenas estudem e façam atividades extracurriculares. Para algumas famílias é importante que elas tenham também os cérebros turbinados para lidar melhor com o dia a dia e desenvolvam habilidades para o mercado de trabalho.

As famílias fazem isso porque estão de olho no emprego dos sonhos no futuro. Enquanto alguns educadores questionam a aparição precoce desse tipo de responsabilidade, outros consideram positivo que a criança tenha contato com conceitos relativos ao universo do trabalho e ao valor do dinheiro desde pequena.

Keiny Andrade/AE

A rede de franquias Fastrackids, fundada nos EUA por um educador e um profissional especializado em treinamento de empresários, oferece aulas nas quais as crianças são filmadas durante toda a atividade. Em determinado momento, explicam individualmente o que aprenderam diante da câmera. A classe assiste e os próprios alunos fazem críticas.

Para a consultora em comunicação e marketing Ira Berloffa Finkelstein, mãe de Lizzie, de 9 anos, e Nicholas, de 7, as atividades ajudam a desenvolver a autocrítica deles. “Nas primeiras vezes que viram seus vídeos, ficaram envergonhados, mas hoje gostam. É como se fosse um espelho em que podem ver seu desempenho.”

A professora de matemática Marlene Sauko, que é dona da franquia do Fastrackids de Campo Belo, zona sul, (a cidade tem outras duas unidades), afirma que o método estimula o aprendizado de forma lúdica. “Lá eles aprendem a pensar, a se relacionar, a relacionar conteúdos e, principalmente, a se comunicar.”

Ela afirma que o apelido de “coaching infantil” que o curso recebeu se deve à característica da atividade, que vai ajudar o futuro profissional a desenvolver suas habilidades. As aulas são uma vez por semana durante duas horas.

A preocupação com o sucesso na carreira aparece no material didático do sistema educacional Universitário, que ensina noções de empreendedorismo para crianças a partir de cinco anos. Elas aprendem a ser empreendedoras em sua linguagem, praticando marketing e o controle de qualidade em uma banca de limonada.

A autora desse material, Ana Célia Ariza, explica que a intenção é o preparo para a aprovação no mercado de trabalho. “É mais fácil aprender inglês quando se é pequeno. Na área do empreendedorismo é a mesma coisa. Despertamos o espírito empreendedor.”

Na opinião da educadora Maria Angela Barbato Carneiro, professora da PUC-SP, a preocupação com a futura carreira pode prejudicar a vivência da infância. “Esse tipo de atividade, às vezes, exige uma coisa para além do que a criança pode dar. Cria-se uma série de expectativas com relação à criança e aos próprios pais que podem ser frustradas.”

Para a psicopedagoga Cybele Meyer, apresentar esses conceitos para a garotada é pertinente na atualidade. “Vivemos em uma sociedade consumista. É importante que as crianças aprendam o valor do dinheiro e do trabalho. Mas é importante tomar cuidado para não impor uma responsabilidade que não é necessária.”

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