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Quando ela aparece

Algumas crianças podem até ser tímidas, mas algumas são até demais. Nossa colunista mostra o que fazer quando isso acontece.

Um dia você acorda e percebe como os anos da infância passaram rápido. E se dá conta que ainda recorda de muitos pequenos detalhes. Lembro desta época da minha vida com muita alegria e uma saudade gostosa dos bons momentos. Hoje percebo que a grande beleza deste período é a diversidade de sentimentos e experimentações únicas que afloram a todo instante.

No meu ramo de trabalho, posso observar diversas crianças e é comum e muito interessante notar as descobertas e diferenças entre elas desde os primeiros anos de vida. Existem as que são falantes e mais ativas por natureza e também as caladas e mais tímidas.

O segundo tipo é encantador, mas a continuidade de uma atitude fechada por muito tempo pode se tornar um obstáculo no seu aprendizado. Através da minha ocupação, possuo contato com diversos pais e me sinto gratificada quando percebo o desabrochar de uma criança tímida.

Outro dia, conversei com um pai que assistia seu filho na aula pela janela de espelho (vale ressaltar que raramente são os pais que acompanham estas atividades, só vemos mães) e ele me contou com lágrimas nos olhos que o filho de 5 anos, que sempre teve problemas de timidez, depois de dois meses em nossa atividade extracurricular aceitou participar pela primeira vez da quadrilha da festa junina da escola. Fiquei tão emocionada que chorei junto com ele.

Com este episódio pude refletir como é importante a conscientização dos pais e o papel que eles representam para as crianças tímidas. São eles que darão o estopim para mostrar à criança sua capacidade de expressão.

Incentivar a participação do filho em suas atividades preferidas é uma ótima alternativa para que ela tenha a oportunidade de estar em ambientes que lhe possibilitem maior interação.

Atividades extracurriculares que envolvam artes, contribuem muito para superação deste obstáculo. A música, o teatro e a dança também são formas de expressão e estimulam a espontaneidade. A criança aprende a extravasar as emoções e entende que quanto melhor se comunicar com os companheiros melhor resultado obterá.

O esporte também é uma opção bastante proveitosa, pois permite a expressão de sentimentos nos jogos e competições e trabalha a liderança e o desenvolvimento da personalidade. Isso ajuda a criança a reconhecer suas próprias capacidades, enxergar seu potencial e, a partir daí, superar a timidez e expor o que pensa.

Outro ponto que os pais devem dar bastante atenção é o cuidado com suas atitudes. Comparar com outras crianças, irmãos, primos ou amiguinhos não é aconselhável. A timidez comumente está associada a alguma insegurança e dizer que outras crianças fazem isso ou aquilo melhor só aumenta essa sensação.
É importante que a criança saiba que é única e que ser mais reservada não é um problema. Mas ela precisa entender que expor os próprios sentimentos e mostrar suas opiniões é essencial para que os outros conheçam suas capacidades e respeitem seu espaço. E isso só acontecerá quando ela se sentir segura para mostrar tudo que é.

Neste caso, só me resta lembrar de que nada nos torna mais seguros e confiantes do que o amor dos nossos entes queridos. Então se você ama seu filho, como eu amo os meus, acredite, já está dado o primeiro passo!

 

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